O termo eutanásia é de origem grega (eu - thanatos, sendo que thanatos era na mitologia grega a personificação da morte) e significa boa morte ou morte feliz. Na verdade, a eutanásia é a ideia de acelerar ou produzir a morte de alguém para seu próprio benefício, ou seja, procura dar a um doente incurável uma morte sem sofrimento. Ela se resume em administrar drogas letais ao paciente terminal ou interromper tratamentos terapêuticos que prolonguem a vida do paciente.
A eutanásia vem sendo praticada desde épocas remotas pelos povos primitivos. A Bíblia, por exemplo, em Samuel 31 1-13, narra um dos primeiros casos de Eutanásia de que se tem registro na história. Desde a Antiguidade, existem médicos para apressar a morte, seguindo tradições e práticas culturais dos povos primitivos.
Com o surgimento do Cristianismo, tais práticas tiveram seu término com a introdução de conceitos como o da sacralidade da vida e o poder exclusivo de Deus sobre a vida e a morte de todos os homens. Do ponto de vista religioso, a eutanásia é um tema polêmico, porque nenhuma religião admite que o homem tenha poder absoluto sobre a vida ou a morte, mesmo que seja a sua.
O Estado também tem sua posição contrária a eutanásia, pois todo Estado tem como princípio a proteção da vida de seus cidadãos, porém existem aqueles que se julgam no direito de antecipar a morte devido ao estado precário da sua saúde, repleto de sofrimento, ou da de pessoas próximas.
Entretanto é importante lembrar que a eutanásia não está ligada somente à morte, mas também à vida e à dignidade humana. É muito difícil compreender o que a morte significa para as pessoas. A dignidade humana comporta, no seio de sua essência, os valores de uma sociedade. No entanto, e no caso de um ser humano em estado terminal que peça a eutanásia, a sua dignidade passa pelo direito a ser tratado como qualquer ser humano saudável e não a ser tratado como se já estivesse sem vida.
Um filme muito bom e que aborda bastante a temática da Eutanásia é o filme espanhol "Mar Adentro" de 2004 e que ganhou o Globo de Ouro e o Oscar de melhor filme de língua estrangeira. Foi com este filme que o excelente ator Javier Barden, que interpreta primorosamente o personagem principal, ganhou destaque para o cenário internacional.
A sinopse do filme é a seguinte: Após um acidente que lhe deixou tetraplégio, Ramón (Javier Barden) luta para conseguir se livrar de sua atual condição física. Após 26 anos deitado e dependendo de todos à sua volta para tudo, ele chama uma advogada para tentar conseguir legalmente o direito de cometer eutanásia. Lúcido e inteligente, levantará questões morais, com a igreja e a sociedade, tudo baseado em uma história real.
Aqui a cultura se faz presente. Porque o Conhecimento só existe quando compartilhado.
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23/08/2011
04/08/2011
Anarquismos
"Os anarquistas sabem que só existe anarquismos, mas muitas vezes seus adversários, inspirados pelo confronto histórico ou pela petulância teórica, tendem a situá-lo no singular. Sua particularidade encontra-se na diversidade de análises e críticas da sociedade avessa a teorias. Teorias e teologias rivalizam no centro de decisões políticas e controles populacionais expressos pelas dominações modernas.
Nietzsche, de um lado, era avesso ao anarquismo, desconfiado dos demais socialismos, e o considerava um movimento filantrópico e de justiça social; de outro lado, tinha o hábito de afirmar que a democracia era a religião moderna do rebanho. Onde a população deve estar sempre ordeiros, direitos, ordenados, devedores e acalmados.
O anarquismo é, para muitas pessoas, algo inominável. É visto como sinônimo de bagunça, desorganização, irresponsabilidade, ausência de regras, convulsão, subversão, palavra que designa o mal. O anarquismo também é visto como uma oposição sistemática a qualquer governo. Mas o anarquismo não é avacalhação, desordem e muito menos oposição a qualquer governo.
Anarquismo é um movimento social, uma forma de pensar criticamente a sociedade, um governo de si pautado na liberdade dos indivíduos que dispensa a entidade estatal, associação. O anarquismo expressa a verdade das sociedades sem soberanos; não pretende uma sociedade única mas uma miríade de sociedades. Por isso estimula as experiências que potencializem a liberdade e reduzam os exercícios de autoridade.
Parece uma Utopia? Pode até ser. Uma vez que a humanidade necessita de utopias. Esta é a referência para o aperfeiçoamento e superação dos conflitos (a utopia descrita aqui não se trata da mesma abordada por Thomas Morus). A utopia se refaz constantemente; é o encontro na fronteira, a definição de outras possibilidades, o estímulo para progredir, o inacabado. Utopia é um fim e um meio.
Isso é possível, porque o anarquismo e seus anarquismos não são prescrições, mas estilos de vida."
Palavras de Edson Passetti.
Nietzsche, de um lado, era avesso ao anarquismo, desconfiado dos demais socialismos, e o considerava um movimento filantrópico e de justiça social; de outro lado, tinha o hábito de afirmar que a democracia era a religião moderna do rebanho. Onde a população deve estar sempre ordeiros, direitos, ordenados, devedores e acalmados.
O anarquismo é, para muitas pessoas, algo inominável. É visto como sinônimo de bagunça, desorganização, irresponsabilidade, ausência de regras, convulsão, subversão, palavra que designa o mal. O anarquismo também é visto como uma oposição sistemática a qualquer governo. Mas o anarquismo não é avacalhação, desordem e muito menos oposição a qualquer governo.
Anarquismo é um movimento social, uma forma de pensar criticamente a sociedade, um governo de si pautado na liberdade dos indivíduos que dispensa a entidade estatal, associação. O anarquismo expressa a verdade das sociedades sem soberanos; não pretende uma sociedade única mas uma miríade de sociedades. Por isso estimula as experiências que potencializem a liberdade e reduzam os exercícios de autoridade.
Parece uma Utopia? Pode até ser. Uma vez que a humanidade necessita de utopias. Esta é a referência para o aperfeiçoamento e superação dos conflitos (a utopia descrita aqui não se trata da mesma abordada por Thomas Morus). A utopia se refaz constantemente; é o encontro na fronteira, a definição de outras possibilidades, o estímulo para progredir, o inacabado. Utopia é um fim e um meio.
Isso é possível, porque o anarquismo e seus anarquismos não são prescrições, mas estilos de vida."
Palavras de Edson Passetti.
16/07/2011
Democracia não é igualdade, é maioria
O século XX se encerrou afirmando como utopia uma necessária democracia agenciada pelas forças liberais. Capitalismo com democracia passou a ser o duplo indissociável que encerrou o século anunciando o retilíneo caminho a ser seguido pela sociedade de controle.Os princípios, Igualdade, Liberdade e Fraternidade difundidos nos ideias Iluministas, e reforçado através da Independência dos EUA e a Revolução Francesa, serviram como ancora para que o governo democrático fosse instalado, constituindo assim a falsa associação de que só há liberdade através da democracia.
Porém, Libertário é uma denominação própria aos anarquistas que sempre propuseram o fim das desigualdades acoplado ao fim do Estado, pois este nada mais é do que a realização do domínio e da injustiça, ancorados nos direitos exercidos de maneira centralizadora, que vão da injustiça, ancorados nos direitos exercidos de maneira centralizadora, que vão da família ao Estado e deste para os indivíduos.
Os anarquismos informam que precisamos analisar as formas autoritárias de nossa educação, cuja base é a sua suposta existência de um soberano que zela por nós, chame-se ele pai, professor, chefe, governante, programas de computação. Uma educação pautada na autoridade centralizada institui uma vida organizada pelo regime da punição e recompensa, cuja expressão terminal chama-se prisão.
Estamos numa sociedade de controle cujo alvo principal é o planeta. Pouco importa a população. Hoje em dia não se requer mais um corpo para ser investido como força motriz para a produtividade. Estamos no tempo de um investimento em fluxos inteligentes para os quais as partes devem estar disponibilizados para a produção e para a participação política controlada pela democracia.
Disciplina e controle de fluxos inteligentes caracterizam a época atual, em que se imagina poder vigiar a todos pelos meios midiáticos eletrônicos, como a televisão, os bancos de dados, a Internet.Texto escrito através de pensamentos pincelados do livro: "Anarquismos e sociedade de controle" do autor Edson Passetti.
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